Parece uma tragédia, mas é minha vida com muitas pitadas de comédia e uma colher cheia de drama.

Uma sexta-feira comum, dia ensolarado, uma quebra no frio do inverno. Era nove de julho de dois mil e dezesseis.
Dia excelente para lavar a moto.
Mando uma mensagem para meu namorado.
-Amor, o Carlos já pagou os nossos salários?
Trabalhávamos na mesma empresa em setores diferentes, eu estava de férias.
-Ainda não amor. respondeu
Mais ou menos duas horas se passaram e ele surge em frente ao portão.
-Vamos?
-Onde? Que carro é esse?
-Do pai, ele me emprestou hoje para testar. E sorri.
Meio contraria ao fato de ele ter pego o carro do pai dele por não ter CNH, engulo a minha opinião pois estávamos estremecidos.
-Onde vamos? Indaguei novamente.
-Buscar teu dinheiro, o Carlos deixou separado numa gaveta.
-Okay, só vou colocar uma roupa e vamos.
Fomos, mal nos falamos no carro, ainda estava chateada por nossa última briga. Afinal nenhuma desculpa esfarrapada havia sido dada.
-Chegamos. disse ele.
Sempre fui meio cri cri em relação ao trabalho, apesar de colegas, sempre preferi não demonstrar dentro da empresa e entre colegas. Profissionalismo em primeiro lugar.
Descemos do carro, cumprimentamos um colega e ele puxou pra me beijar, não consegui.
Estávamos em ambiente de trabalho.
Ele ficou chateado comigo, vi na hora. Entramos na loja, peguei meu dinheiro e saímos.
Ele me levou para casa, no caminho não disse uma palavra. Tentei segurar na mão dele, mas ele puxou.
Desci, ele disse que tinha que ir e que iria no pai dele depois.
Fui até a casa da minha tia, ficamos tomando mate e conversando.
Recebi uma mensagem, era dele.
-Vou jantar no pai.
Respondi:
-Tudo bem.
Já eram 23:30 da noite fui para casa dormir. Cheguei e ele ainda não tinha chegado.
Deitei, afinal era normal ele ir para casa da mãe dele e demorar para voltar por ficar jogando com os irmãos, imaginei que podia ser o mesmo só que na casa do pai dele, o qual devia estar com saudade já que havia passado um bom período no Haiti.

Peguei no sono.
No meio da noite acordei, já eram duas da manhã e o Bruno não estava na cama ainda.
Levantei e fui procurá-lo pela casa. Não o encontrei e o pior veio a minha mente.
Meu celular sem crédito para ligações e o dele também.
Chamei uma das minhas melhores amigas no whatsapp.
-Nat, tá acordada?
-To Ju. respondeu.
- O Bruno desapareceu, eu não tenho créditos e ele também não. Tens como ligar pra ele?
-Claro!
Em seguida me liga
Nat - Ju?

Ju - Fala nega.

Nat -O telefone dele tá desligado.
Não sabes o número do pai dele?
Meu coração que já doía, começou a sangrar de tanto pânico.

Ju -Não, vou tentar falar com o ir,ão dele que iria junto na janta.

Nat - Vai dando notícias.

Ju -Tá bem.
 Mandei mensagem para o irmão dele, pelo whatsapp, por facebook e nada também.
Comecei a ligar para a polícia, não sabiam me dizer de nenhum acidente com a moto dele e nem com o carro do pai dele. Liguei para os bombeiros, para o pronto socorro e nada.
O meu desespero só aumentava.
Já eram 3:30 da manhã.
Peguei minha ''moto'' (elétrica e que estava estragada) e fui a procura de um lugar para colocar crédito.
O posto mais próximo da minha casa estava fechado.
Segui a procura de outro posto, encontrei.
Coloquei crédito no meu e no celular dele.
Comecei o caminho para casa e a bateria da moto morreu de vez.
Já eram quatro da manhã, empurrei sozinha a moto até em casa.
Cheguei quase 5 horas e nada dele.
Minha esperança era de ver a moto dele em casa quando chegasse, que nada.
Tentei ligar e a minha amiga também seguia tentando.
Liguei novamente para a polícia, para os bombeiros e hospital.
As respostas seguiam as mesmas.
A mãe dele e o irmão não me atendiam.
O desespero tomava conta de mim, chorei, orei pedindo que ele estivesse me traindo mas a salvo.
Segui tentando ligar e nada
Eram seis horas da manhã e sem saber o que fazer liguei para os meus pais. Meu pai pediu que eu aguardasse uma hora e se ele não aparecesse iríamos de carro vasculhar a cidade atrás dele.
A mãe dele me atende.

Finalmente. -eu pensei.
 Comecei a ligação dizendo:
-Dona Cecília, desculpa lhe acordar, mas não sei mais o que fazer.
O Bruno não voltou pra casa, a senhora sabe o endereço que o seu ex marido tá morando. Tenho medo do pior.
Ela então disse:
-Ju, ele tá bem.
Notícia ruim vem a cavalo.
O Gaab, disse que ele ia ficar por lá.
Não te preocupa com e sim contigo.

Com a voz incrédula disse:
-Obrigada.
E desliguei.

Continua...



Autora: Julie Santos.


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